Revoltas Aratacas I

Imagem1Ronco das Abelhas
(O Problema não são os nordestinos, mas o descaso dos governos para com o Nordeste)

Fazendo uma releitura da história das revoltas populares ocorridas no Nordeste no governo imperial do século XIX, particularmente “ ronco das abelhas” e “quebra quilos”, constatamos que os narradores apresentaram a versão do ponto de vista elitista sem dar maior atenção a uma causa primordial: Reflexo do analfabetismo, ignorância e miséria impostos pelas elites à classe de trabalhadores rurais.

A vida na zona rural nordestina, desde a colonização, sempre foi marcada pela cultura escravocrata sob domínio dos grandes proprietários de terra que também estendiam o seu arbítrio sobre os “ trabalhadores livres”, mantidos em condições de miséria e excluídos do acesso à formação escolar básica.

Nos episódios do “Ronco das Abelhas”, o pensamento da elite governante a respeito do povo nordestino revoltoso ficou impresso nos documentos oficiais com estas referências: “povo mais miúdo”, “gente baixa”, “a maioria da população menos abastada”, “gente da última ralé”, “sem nenhuma importância social ou política”, ou ainda, “gente ignorante e fanática  sem plano nem direção. 

Imagem2Foi nesse contexto que em 1851, os Decretos 797 – Censo Geral do Império e o 798 – Registro Civil de Nascimento e Óbito despertaram a desconfiança das populações pobres. Por que ? Porque a fixação dos editais nas igrejas Matrizes, Juizados de Paz e anúncio em jornais só estavam ao alcance do entendimento das elites aliadas ao governo.

Na memória do “trabalhador livre”, dos quilombolas e dos escravos alforriados, aqueles registros   assemelhavam-se aos registros de escravos mantidos nos livros dos cartórios. Ainda mais porque nos novos Registros, em livro único, os moradores das grandes propriedades recebiam a anotação adicional de “servo”. Sobre os negros, figurava ao lado dos seus nomes a anotação da cor. Para eles era “A lei da Escravidão”.

Não demorou para que o “zum zum zum” boca a boca se disseminasse nas vilas e cidades de cinco províncias do Nordeste: Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Sergipe, o entendimento de que aquilo ela uma armadilha para nova escravidão dos alforriados e dos próprios trabalhadores livres. Para eles era uma questão de preservar a liberdade. Desconfiados, sempre respondiam aos curiosos sobre o barulho nas discussões: -“é apenas o ronco das abelhas” (o que originou o nome do movimento).

Armados de espingardas, foice e enxada os revoltosos atacaram os prédios e autoridades públicas, destruindo os livros de registro.

A reação do governo pacificou o movimento, mas não conseguiu identificar líderes, terminando por anistiar a todos, cancelar os decretos e adiar os seus propósitos por um período de vinte anos, embora arranjando outras desculpas para não admitir uma derrota frente àqueles “aratacas” com seus gritos de “abaixo a lei” e “morra o governo”.  O ronco das abelhas passou também pela Vila do Ingá.

Referências:

Uma História do ingá- Série Materiais Didáticos > Maria Helena  Pereira Cavalcanti >  Regina Célia Gonçalves > Rossana Souza Sorrentino > Vilma de Lourdes Barbosa SouzaWikipédia – InfoEscola. «Revolta do ronco da Abelha» – (Interpretações pessoais)

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3 comentários sobre “Revoltas Aratacas I

  1. Muito bom texto, com dados de fatos historicos que nao sao falados nem conhecidos da populaçao. Vamos divulgar que é muito importante quebrar o tabu e dignificar todos os brasileiros independente de cor, etnia ou lugar de nascimento!
    Valeu Geraldo! Parabens pela abordagem!

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