O ano que não existiu

O ano que não existiu

Como se fosse o quarto cavaleiro do apocalipse, partiu do oriente um “coronado” rei do mal, trazendo consigo a ceifadora para fazer sua coleta e para espalhar a morte em todo o mundo, mesmo aonde não havia guerra.

Sem poupar reis, rainhas, príncipes, nobres, ricos e pobres, globalizou uma onda de medo, desespero e confinamentos individuais; levou os humanos a reverem os seus conceitos e os seus princípios, e a mudar o foco da produção para a busca de almejada sobrevivência.

Os cientistas buscadores da verdade confrontam-se com prepotentes interesses de governantes insensíveis, negacionistas e cultuadores de divergências ideológicas.

Assistimos aos debates vazios, as desinformações, a mentira justificando tudo e algumas autoridades sem rumo desdizendo o que antes disseram ou explicando o inexplicável. Na ponta da linha, vemos a desconfiança coletiva; em alguns lugares a desesperança; nas filas dos hospitais, vemos a espera por vagas de UTI transformar-se em sepulturas recolhendo as vítimas.

Nesse interim, a Natureza também chorou as suas perdas; mas as águas vertidas como lágrimas não foram suficientes para apagar as fogueiras da destruição. O ventre da mãe-terra, já cansado, não consegue produzir o sustento vital e vê, desesperada, a fome ceifando os seus inocentes e preciosos filhos. As águas cristalinas desapareceram afogadas no lixo urbano. 

É o caos? Não; é apenas um ensaio; ele ainda está por vir. Esta civilização não é diferente. de tantas outras que pereceram dando lugar a um novo ciclo de vida.

2020 se vai.  Vai-se como um divisor do tempo, tal qual uma montanha que divide as águas correntes. Falarão de antes e depois dele:

– Em que época você nasceu? Foi antes ou depois de 2020?

2020 foi o ano em que uma boa parte dos humanos continuou existindo, mas sem poderem viver uma vida plena de realizações, conquistas, convivências, emoções, lazeres, visitas e festejos. Foi o ano em que amigos e parentes perdidos não foram visitados no seu leito dos últimos momentos e foram sepultados sem um tradicional velório. Foi o ano em que as crianças não foram à escola, esqueceram seus colegas e perderam – em parte – o estímulo.

Ninguém “viveu” em 2020 (na plena acepção da palavra). 

Vivemos antes e, talvez “vivamos” depois. E para quem não “viveu” em 2020, ele não existiu. Virou um marco; um obelisco marcador de intervalo do tempo.Podia ser pior? Sim, tanto que uma certa elite mundial não só acredita que sim como investe e se prepara para um novo ciclo de vida ultra planetária. Por quê? Porque já se percebe que esta humanidade não está preparada para superar um verdadeiro caos; basta analisar o seu comportamento neste pequeno ensaio de 2020 – “o ano que não existiu”.

Quero esquecer

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