Sessenta, setenta, oitenta, noventa…
A passos lentos me encaminho para onde vou.
Muito passado, pouco futuro em marcha lenta,
Resta a saudade do que fui e que já não sou.
Do caniço do molinete e da carretilha,
Despediu-se o pescador confederado.
E das canchas, onde vencedor é só quem brilha
Onde fui atleta resiliente e inveterado.
No “Edilaine”, meu barquinho bem cuidado,
Naveguei muito pelo mar da costa leste.
E depois no “Urutau”, bem mais ousado,
Fui “Mestre Arrais” cruzando um rio no lado oeste.
Filhos nobres, amada prole bem distante
Só no espaço, pois no tempo são bem lembrados
Cidadãos do mundo muito além do horizonte.
No coração de velhos pais sempre embalados
Por muitas e muitas estradas andei.
Peregrino procurando um bom viver.
“Lugar à sombra” finalmente eu encontrei
Para ser feliz do jeito que posso ser.